“O cheiro do cigarro ainda está no ar, inundando o quarto, minhas narinas, minha mente. Em companhia dessa escuridão ficaram aqui, eu e minhas lembranças. Não consigo tirar da mente o quão quente foi aquilo. O calor que seu coração passava ao meu, fazendo meu corpo suar. Sua respiração forte e ofegante em meu ouvido. Sua voz rouca sussurrando e fazendo estremecer minh’alma. Pouco a pouco sentir você, cada vez mais adentro. Cada vez mais fundo, dilacerando os confins do meu intimo. E ia você, cada vez mais subias mais nessa sua escalada por meu corpo, fazendo-me tremer. Torcer a cabeça. Enlouquecer com aquela sensação. Gritos. Tudo tão profundo. Eu estava inerte a tudo. Eu não podia me mover, e no fundo eu não queria. Meu corpo pedia mais de você. Sofria. Gemia. Entorcia e pedia mais, e mais. Aquele trançar de minhas coxas nas tuas. Mais de mim. Mais de você. Mais de você em mim. E nosso amor ardendo em brasa. Minha boca em tua boca. E só lembro-me de seu sentimento jorrando e escorrendo por mim. Lembro-me de mim. Desfalecendo, caindo pouco a pouco. Lento. Cansado. Domado. Saciado.”
Arthur Nascimento. (nãohálugarmelhorqueolar)
(Source: debilidade)
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